6.11.08
Há de vir o ESCÂNDALO…
Por que, no mundo, os maus têm geralmente maior influência sobre os bons?
– É pela fraqueza dos bons; os maus são intrigantes e audaciosos,
os bons são tímidos; quando estes últimos quiserem, dominarão.
(O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Pergunta 932)
É fácil notar como as pessoas andam chocadas com o alto grau de violência, maldade, desregramentos morais de toda espécie, que tem sido vistas nos variados meios de comunicação, inclusive se estendendo para nossa realidade próxima. No entanto, estranhamente, nem sempre parecem compreender qual sua cota de participação neste contexto, considerando suas reações, receptividade, curiosidade, divulgação e omissão perante o que vêem.
Analisemos friamente… A TV, por exemplo, não é ligada automaticamente, nem automática é a escolha dos canais e programas que assistimos através dela. Isso nos transfere toda a responsabilidade sobre quais informações e modelos entram em nosso lar, atingem nossa família – especialmente filhos, e invadem nossa mente, fortalecendo imagens subliminares de naturalidade no que apenas (e infelizmente) tornou-se normal.
Os abusos divulgados pela mídia, jornalistas, produtores, atores, escritores, têm expectadores fiéis, ávidos por assistir a miséria alheia, esperando (como abutres!), acontecer a carnificina material e moral do outro, otimizando o uso do seu tempo entre críticas, julgamentos, palpites, desesperanças, ironias, exacerbamento das paixões e até, a mera aceitação.
Os valores morais do ser humano estão em xeque. Já não se compreende a diferença entre o certo e o errado, o natural e o normal, que têm se misturado numa confusão que passa intimamente despercebida, mas persiste socialmente impactante.
Quando vemos mães e pais deixando suas filhas de 8, 9 anos, irem de ônibus sozinhas à escola; deixando-as ter perfis no Orkut, endereços de MSN, sem saberem com quem se comunicam… como surpreender-se ao serem encontradas mortas, abusadas por pedófilos?
Quando vemos mães e pais deixando suas filhas de 12 anos namorarem rapazes bem mais velhos quando deveriam estar brincando de bonecas e estudando… como surpreender-se que aos 15 elas estejam grávidas; ou mortas devido a possessividade dos namorados?
Quando vemos mães e pais dando armas de brinquedo a seus filhos pequenos, e deixando-os assistir programas onde se vê que o violento é quem tem poder e coragem, é temido e admirado… como surpreender-se que aos 16 anos eles invadam a escola e matem seus colegas e professores tornados desafetos?
Quando vemos milhares de curiosos visitarem o velório de alguém que foi vitimado por um crime hediondo, muitos dos quais fotografam o “evento” para levar como troféu… como surpreender-se que a miséria humana seja largamente divulgada pela mídia?
Quando vemos que o ator bonitão que é pego em flagrante adquirindo drogas, em vez de ser usado como modelo de comportamento inadequado, é contratado como o galã da próxima novela das 8… como surpreender-se que nossos filhos achem legal, normal e lícito drogar-se?
Quando compramos para nossos filhos CD’s de músicas funk porque todos o escutam, a escola e os pais dos amigos o colocam para tocar nas festinhas e comemorações… como surpreender-se que eles queiram ir aos bailes deste quilate, onde mulheres sem calcinha entram sem pagar?
Quando permitimos que nossos filhos assistam programas de adolescentes, bem como novelas ‘globais’ fora de sua classificação etária, as quais mostram que sexo sem responsabilidade é normal, é bom, é divertido, e uma eventual gravidez na adolescência é motivo só de alegria, tem boa recepção dos familiares, do pai da criança… como surpreender-se que cada vez mais e mais cedo, mocinhas sintam na pele a dura realidade da maternidade precoce ou do aborto?
Temos sido bombardeados por lixos morais (‘imorais’, melhor dizendo), que insistem que nossos modelos, nossos ícones, sejam os que têm fama, beleza física e poder, não importando se para isso usem seu corpo, usem a violência como profissão, sejam corruptos ou criminosos.
No momento atual da humanidade, o que se ensina às crianças, que se reforça nos adolescentes e jovens, e que se exige dos adultos, é a eterna luta entre o bem e o mal, mas uma luta equivocadamente compreendida, onde o bem luta com força física em vez de moral, e se mostra fraco e piegas mesmo vencendo ao final.
Desta forma, como esperar que haja um aumento da responsabilidade individual e social, quanto à moral, valores, virtudes e das convicções de que o outro tem as mesmas necessidades que nós; como perceber que precisamos agir conforme esta realidade, auxiliando, respeitando, moralizando, educando, amando enfim!?
“Há de vir o escândalo…”, disse Jesus, considerando que somos frágeis na vontade de agir no Bem e, por isso, naturalmente escolheríamos amargos caminhos até amadurecermos a alma imortal. Mas disse ele, também, “ai daquele através de quem o escândalo vier”, mostrando que o que age no mal em qualquer instância, bem como o que se omite no bem (e se torna instrumento passivo do mal), será responsabilizado por sua cota de participação no mundo que construímos diariamente.
Como diz a frase de autor ignorado, que recebemos por e-mail…
Fala-se tanto da necessidade de deixar-se um planeta melhor
para os nossos filhos, e esquece-se da urgência de deixarmos
filhos melhores (educados, compassivos, responsáveis)
para o nosso planeta.
Reflitamos seriamente a respeito
Mais que isso, tomemos atitudes compatíveis com o que afirmamos crer.
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Vania Loir@ Vasconcelos
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