Espiritismo Sem Melindres

Este blog continua o trabalho do antigo Viagens Filosóficas, e trabalha paralelamente com a Comunidade Espiritismo Sem Melindres, do Orkut.

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11.07.08

A FÉ ... que TRANSPORTA montanhas


“Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé
do tamanho de um grão de mostarda,
diríeis a esta montanha:
Transporta-te daí para ali e ela se transportaria,
e nada vos seria impossível”.
(Mateus, XVII: 14-19)


Clara é a observação do Cristo: com FÉ (*) apenas mínima, já teríamos capacidade de transportar “montanhas” (simbolismo para problemas, dificuldades, limitações, defeitos, imperfeições). Como ainda lamuriamos, reclamamos, desistimos, desencorajamos, fácil é notar quão descrentes ainda somos, especialmente nos momentos difíceis.

(*) FÉ: palavra de origem latina (fide), que significa:
crença; confiança (Dicionário Michaelis).
Também significa: crença religiosa;
convicção em alguém ou alguma coisa;
firmeza na execução de um compromisso;
crédito; confiança; intenção; virtude teologal
(Dicionário Priberam de Língua Portuguesa).

Jesus deixa claro o poder deste sentimento, e esclarece que nada será impossível a quem souber usar esta força espiritual. Porém, temos a TEORIA DA FÉ, mas geralmente falhamos na PRÁTICA DA FÉ. Por isso, baseando-nos nas explicações da Doutrina Espírita, ponderaremos sobre os seguintes aspectos da fé:


Fé humana e fé divina
Fé cega e fé racional
Fé passiva e fé ativa

Define-se como FÉ HUMANA, a que é usada no CAMPO MATERIAL para conseguir objetivos materiais e intelectuais. Todos temos condições de desenvolvê-la, estimular a crença na própria capacidade de realizar uma tarefa material. Para estar em acordo com as leis naturais, deve ser aliada à humildade, para não se transformar em orgulho, sentimento que nos ilude sobre nossa realidade de caráter e valor.

Define-se como FÉ DIVINA, a que orienta o CAMPO ESPIRITUAL, guia o homem com a crença em uma força superior a tudo, direcionando sua capacidade para a descoberta do seu lado imortal. É a religiosidade que agrega a caridade, fraternidade e melhoria interior. Esta fé, aliada à fé humana, espiritualiza os objetivos desta última, direcionando a força material para a satisfação da coletividade.

A FÉ CEGA acredita SEM COMPREENDER, sem questionar, a cada passo se choca com as evidências da ciência, da lógica, e da razão. É ela que produz o fanatismo, sempre que levada ao excesso. Se fundamentar-se no erro, cedo ou tarde desmoronará, pois não contém solidez. Aquele que estimula a fé cega sobre um ponto de crença, confessa-se impotente para demonstrar sua razão.

A FÉ RACIONAL é aquela que se ALIA A RAZÃO. Ela dá à crença uma base firme, podendo encarar a ciência e o progresso a qualquer tempo, pois ensina que não basta só crer ou ver, é necessário compreender. É esta a fé propagada pelo Espiritismo. Somente a fé que se baseia na verdade nada tem a temer do progresso, pois o que é verdadeiro na obscuridade, também o é à luz.

A FÉ PASSIVA é fé SEM OBRAS, não vale nada, nem se aliada à Fé Racional, já que o conhecimento sem atitude não salva nem melhora ninguém. Recordamos Tiago, o apóstolo, que alertou... Que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma - Tiago 2, 14;17.

A FÉ ATIVA é a APLICAÇÃO do que sabemos, mudando o mundo, começando pelo nosso próprio mundo interior; mudar o exterior é consequência natural desta transformação pela fé: consciência de ser além do que vê e acha que pode. Não adianta ler a Codificação Espírita, a Bíblia, ou outras obras religiosas, filosóficas, se todos estes ensinamentos não nos tornarem pessoas melhores, transformando em obras materiais e espirituais o que aprendemos. A fé, quando ativa, possibilita beneficiar o próximo diretamente e através de exemplos, e faz com que este bem seja também revertido para nós mesmos, pela lei de ação e reação.

Considera-se fé, em geral, somente a crença em certos dogmas religiosos aceitos sem exame. Porém a fé extrapola esta definição simplista, ela está na convicção que nos estimula a elevarmo-nos além das trivialidades, nos arrebata na busca por ideais elevados, nos muitos aspectos na fé: em si, numa obra material qualquer, num objetivo moral, na política, na pátria, na busca de Deus.

A fé religiosa, quando cega, anula a razão, pois se submete ao que outros dizem ser verdade, aceita como verdadeira ou falsa uma doutrina, sem refletir profundamente a seu respeito, conduzindo ao fanatismo.

A razão é faculdade superior, intrínseca ao ser inteligente, destinada a permitir que nos esclareçamos sobre todas as coisas. Por isso é preciso que caminhe com a fé para completarem-se. Como todas as outras faculdades, a razão se desenvolve e aumenta pelo exercício. A razão humana é um reflexo da Razão eterna. É Deus em nós, disse S. Paulo.

É preciso não confundir FÉ com PRESUNÇÃO, vaidade, orgulho ou senso de superioridade. A verdadeira fé se conjuga à humildade, pois o humilde é capaz de reconhecer quando está enganado, e mudar de rumos sem sofrer com esta decisão. Fé não se prescreve, não é imposta, ela pode ser adquirida e ninguém é impedido de a possuir.

A resistência do incrédulo, para crer, provém mais da maneira como lhe apresentam as coisas, do que por descrença pura. Para crer não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender, disse Allan Kardec. O dogma da fé cega, tão antigo, ainda produz incrédulos, porque se impõe através da exigência da aceitação sem uso do raciocínio e do livre-arbítrio; uma vez que não admite provas, deixa no espírito da pessoa crítica, um sentimento de inconsistência, o qual dá nascimento à dúvida.

A fé raciocinada se apóia nos fatos e na lógica, e por isso nenhuma obscuridade deixa: a criatura crê, porque tem certeza, e só existe certeza naquele que compreendeu. Fé inabalável só o é a que pode encarar a razão, frente a frente, em todas as épocas da Humanidade (Allan Kardec).

By

Vania Loir@ Vasconcelos

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